Raider Kid conta a história de Alex, que tá passeando de férias com a família pra visitar as pirâmides. A viagem tá um saco, e o moleque decide explorar a pirâmide por si só, como se fosse o próprio Indiana Jones (inspiração óbvia que o jogo não tenta esconder em momento algum). É lógico que, a dois passos de um grande baú brilhante feito de rubi, ele cai numa armadilha e vai parar lá no fundo da pirâmide. O jeito é explorar os cantos dessa ruína e encontrar a saída…
Gênero: Metroidvania
Lançamento: 31/03/2026
Plataformas: PC
Tem idioma PT-BR: Sim
Desenvolvido por Cacareco Games
Publicado por Cacareco Games
Um moleque entra numa pirâmide e veja no que deu
Vou começar esse texto de um jeito um pouco diferente, te contando o que Raider Kid NÃO TEM. Raider Kid NÃO TEM um mapa super complexo e gigante. Raider Kid NÃO TEM uma lore complexa que vai gerar vídeos de teorias no canal do Mossbag ou do Vaativydia. Raider Kid NÃO TEM não tem uma árvore com 50 habilidades, nem um combate cheio de ataques especiais, nem uma tonelada de equipamentos, itens e magias.
E tá tudo bem.

Eu adoro jogos que respeitam meu tempo, e é aí que entra Raider Kid e os outros metroidvanias curtinhos, que a comunidade tem apelidado de “Microvanias” – jogos com escopo pequeno e que duram no máximo umas 5 ou 6 horinhas pra descobrir todos os segredos. Gato Roboto provavelmente é o mais conhecido deles, e com razão, afinal é um jogão! E era o meu favorito… Até agora.
Raider Kid não é esse monte de coisa que eu falei aí em cima por um simples motivo: ele sabe muito bem o que ele quer ser: um joguinho curto, focado, em que cada detalhe, cada sala, cada inimigo e cada segredo foi milimetricamente posicionado, com intenção e inteligência. É tipo o que eu senti quando joguei Journey, Inside e A Short Hike – e eu sei que estou comparando com jogões absurdos e super reconhecidos, mas é porque eu realmente acho que Raider Kid merece estar ao lado desses pequenos gigantes.
O que o jogo TEM então?
Pra enfrentar os perigos da pirâmide que guarda um segredo macabro, Alex conta inicialmente só com um chicotinho, mas isso logo se expande pra um arsenal bem legal de itens de exploração e combate que vão desde um martelão que quebra paredes e inimigos e uns arpões que esperam alvos à distância até um cristal que serve pra achar segredos pelo mapa. E o legal de ser um jogo curtinho é que esses upgrades aparecem num ritmo muito bom – você não joga mais de 15 ou 20 minutos sem encontrar algo novo.

O jogo se divide em mais ou menos três momentos. O primeiro é relativamente linear, e serve pro jogador se acostumar com os controles, que são simples e responsivos. Inicialmente você pula e ataca com seu chicote, e é isso. Mas quando você acha que vai ser sempre assim, o mapa se abre e você começa a ir e voltar pelos diferentes biomas procurando novos segredos, com o objetivo de encontrar os pedaços da chave que abrirá o tal Baú de Rubi do nome do jogo. E aí tem um terceiro momento que vem depois do final do jogo, que envolve uma nova caçada por segredos MUITO criativos pra desbloquear o final verdadeiro. E tudo isso não leva mais do que umas 3 horinhas.

Mesmo sendo super compacto, o jogo tem uma variação muito legal de chefões e desafios de plataforma pra enfrentar. Nada é muito difícil, e nem é pra ser mesmo. O combate não tem parry, não tem barra de mp, não tem ataques especiais… É você, seu chicote, suas poucas armas secundárias, e ponto final. As batalhas nem são feitas pra ser o principal ponto do jogo mesmo – Raider Kid tá bem mais pra Metroid do que pra Castlevania, com o foco em atmosfera, segredos e exploração não-linear.
Os melhores perfumes…
Embora o jogo nunca te fale explicitamente pra onde você deve ir, o design das fases e o layout dos biomas é tão bem feito que você nunca se sente perdido além do que o jogo espera que você se sinta. É claro que às vezes você vai ter que ir e voltar pra fuçar os cantos de cada área – faz sentido, afinal você é uma criança explorando uma ruína de uma pirâmide. Mas como tudo é muito bem interligado e você tem trocentos caminhos pra ir ou voltar pra cada bioma, você sempre tá fazendo progresso e encontrando coisas novas que tinha deixado pra trás.

Durante o jogo, a progressão de personagem vem sempre na forma de colecionáveis que te dão mais pontos de vida (comendo rosquinhas!), mais capacidade de arpões, e mais velocidade no tempo de carregamento de alguns movimentos. Você não precisa se preocupar com pontos de experiência, dinheiro, status ou qualquer outra coisa dessas.
O jogo quer ser pequeno, e assim como dizem que os melhores perfumes vem nos menores frascos, parece que os melhores jogos vem nos menores cartuchos. Raider Kid faz, com sucesso louvável, o máximo pra você ficar 100% do tempo no jogo e 0% do tempo futucando por menus.
E esse visual retrô aí?
Falamos tanto da jogabilidade e da exploração, mas faltou falar do ponto que chama atenção logo de cara pra quem chega no jogo meio desavisado – parece um joguinho de game boy color! E não é por acaso, o jogo faz até graça com isso colocando a tela dentro de uma telinha de console portátil, com direito a customização de cores e adesivos. Você pode desativar essa opção e jogar em tela cheia se quiser, mas por que você cometeria essa blasfêmia!?

Visual de game boy color vem junto com sons e trilha sonora de game boy color! As músicas são muito gostosinhas e realmente parecem autênticas pra época que o jogo se propõe a emular. Fica aqui meu pedido pro pessoal da Cacareco: bora lançar uma edição especial desse jogo num cartuchinho?
Enfim, assim como o jogo faz, não quero me estender muito. Raider Kid é super criativo, lotado de segredos em todos os cantinhos do seu compacto mapa, e eu nem quero entrar em muitos detalhes da historinha que o jogo conta pra não dar spoiler. Basta dizer que Alex é um protagonista adorável, os pais dele são comicamente negligentes, os inimigos cabeça-de-pedra são inesperadamente charmosos, e o senso de humor do texto é daqueles que só poderia ter vindo de uma equipe brasileira mesmo. Ah, e o jogo funciona perfeitamente tanto no PC quanto no Steam Deck, e fui do começo ao fim sem qualquer problema.
Veredito: Obrigatório
Existe algum motivo pra não jogar pra Raider Kid? Sinceramente, não. Se você é fã de metroidvanias e/ou é nostálgico pela época do game boy color e game boy advance, Raider Kid pode ser um dos seus jogos favoritos do ano (como já aconteceu comigo). E mesmo que você não seja exatamente o público alvo… Três horinhas de duração, custando 17 pilas no seu preço cheio, e brasileiro ainda por cima? Puxa vida, não dá pra não dar uma chance. E trate de deixar um review, porque é um CRIME que esse jogo só tenha 69 avaliações (nice) no momento que estou escrevendo esse texto.
Ah, e se você ainda não está convencido, vai aí mais um último argumento: a logo dos caras é uma Galinha.
Jogue se você curte: Metroid, gameboy, ter seu tempo respeitado, adesivos de unicórnio.