Alô, Viúvas de Odin Sphere – Ariana and the Elder Codex

Garotas mágicas? Sim. Livros antigos que guardam os segredos dos elementos da natureza? Claro. Histórias absolutamente tristes? Com certeza. Pancadaria 2D? Bastante. Ariana and the Elder Codex sabe muito bem o que quer ser e, apesar de uns tropeços aqui e ali, acaba sendo um excelente jogo pra quem também sabe muito bem o que quer jogar.

Gênero: RPG de Ação 2D
Lançamento: 29/04/2026
Plataformas: PC*, PS4, PS5, Switch
* alerta: não consegui fazer o jogo rodar no Steam Deck
Tem idioma PT-BR: Não
Desenvolvido por Hyde
Publicado por Compile Heart, Idea Factory

Atenção: isso não é um metroidvania

Ariana and the Elder Codex sabe muito bem o que quer ser, mas também sabe bem o que NÃO quer ser. Acho legal começar esse texto por aqui porque tenho certeza que muita gente, ao ver algumas telas, assistir algum gameplay ou ouvir falar desse jogo, vai achar que trata-se de um metroidvania. Permita-me deixar bem claro: embora o jogo até tenha certos elementos de exploração, e embora você até vá e volte pelas áreas de vez em quando pra explorar usando novos upgrades de movimento, isso aqui NÃO É um metroidvania. Você NÃO VAI se perder em um mundo interconectado, descobrir caminhos secretos, encontrar áreas escondidas e tal.

 

Essa é a tela na qual você escolhe qual vai ser a próxima fase.

Tá, mas o que é esse jogo então? Bom, Ariana é um RPG de ação, em 2D, com fases independentes e lineares que contam uma história com começo, meio e fim bem determinados. Você pode entrar em qualquer um dos livros (as “fases” do jogo) na ordem que quiser, embora eles tenham graus de dificuldade diferentes, e aí você joga a história daquele livro, encontra aqueles NPCs, faz aquelas sidequests, derrota aquele chefão e segue em frente. Depois de uma passadinha na biblioteca que serve de “base de operações”, escolhe a próxima fase e assim vai. Tá afim de jogar algo assim? Ótimo, então vai curtir Ariana.

Jogabilidade linda…

Já que esse jogo é, principalmente, um jogo de combate, vamos falar dele antes de mais nada. Você controla Ariana, uma garotinha com o poder de consertar os grimórios que regem a magia e a natureza. E de que forma você faz isso? Derrotando inimigos e chefões, é claro! O combate é de ação, e altamente customizável. O jogador tem uma tonelada de magias e habilidades diferentes pra aprender, que vão sendo liberadas à medida que você termina cada fase – ou seja, a progressão depende das escolhas que você faz com relação a qual fase você vai jogar primeiro.

 

Um dos vários chefões do jogo, no grimório do Vento.

Vou poupar você dos detalhes, mas tudo funciona como você espera: pontos de experiência, umas duas ou três “moedas” diferentes que você troca por upgrades, magias novas, etc. Não tem nada de “inovador” nos sistemas de progressão de Ariana, mas tudo funciona muito bem e tudo vai sendo desbloqueado em um ritmo muito legal. A pancadaria em si segue essa mesma vibe: nenhum sistema é inédito nem vai explodir sua cabeça, mas tá tudo tão azeitado, tão bem executado, que Ariana se torna um jogo muito, mas MUITO gostosinho de jogar.

É sinceramente difícil colocar em palavras o que torna o combate desse jogo tão legal, o melhor que você pode fazer é baixar a demo e sentir por si mesmo. O timing dos ataques, o alcance, a responsividade, a fluidez dos movimentos, a facilidade de combar uma magia na outra… É tudo muito bem feitinho mesmo. O jogo não tenta ser diferente em nada em relação ao gameplay, ele só executa muito bem o que é esperado de um jogo desse tipo.

…e visual mais ainda

Agora, melhor que o combate é o visual. Ariana é um dos jogos em 2D mais bonitos que eu joguei nos últimos tempos, com artes detalhadas pros retratos dos personagens durante as conversas, sprites lindos e super complexos pra todos os inimigos e chefões durante os combates, e cenários fantásticos. Até a interface é absolutamente bem feita, fluida, com informações claras mas com uma riqueza de detalhes absurda.

 

Olha pra essa arte maravilhosa.

Uma pena que a história que tá por trás de tudo isso não é lá aquelas coisas. A trama é manjada, e tá aqui só como desculpa pra você jogar e explorar esse mundo mesmo. E nada contra isso, o problema é que os diálogos são longos e intrusivos demais, e muitas vezes eu me pegava prestando atenção na história só porque eu tava jogando pra escrever esse review mesmo, porque a minha vontade era pular tudo.

Pra ser justo, as histórias mais curtinhas que moram dentro de cada um dos livros do jogo são bem legais – a história do livro do fogo foi a minha favorita. O problema é a história principal, que falhou miseravelmente no seu objetivo de me fazer me importar com qualquer um daqueles personagens. Fica aí a dica pra quem for jogar: preste atenção nas histórias das sidequests, porque ali realmente tem bastante coisa legal, mas durante os diálogos principais pode pegar uma água ou aproveitar pra fazer uma pausa pra ir ao banheiro.

Veredito: Recomendado

Ariana and the Elder Codex é um caso clássico de “saiba onde você está se metendo”. Quer um joguinho relativamente curto (umas 15 horas de duração) com gameplay 2D gostoso, arte linda e umas sidequests tristes aqui e ali? Show, vai fundo. Tá procurando um metroidvania com mundo complexo pra explorar ou uma história com roteiro digno de prêmios? Melhor procurar em outro lugar.

Jogue se você curte: Odin Sphere, visual 2D, garotas mágicas, histórias tristes

 

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